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a Deficiência Visual
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³
Sobre a Deficiência
Visual
Caminhando Juntos
Manual
das habilidades básicas de Orientação
e Mobilidade
João
Álvaro de Moraes Felippe
Ilustrações de
Saulo Silveira
LARAMARA, 2001
[João Álvaro de
Moraes Felippe:
Natural da cidade de São Paulo formou-se
em Educação Física na EEFE USP,
especializando-se em Educação Física
Adaptada na Universidade Gama Filho. É
coordenador de programas especiais da
Associação Brasileira de Assistência
ao Deficiente Visual - LARAMARA. É
professor da disciplina Actividades de
Grupos Especiais no UniFMU.]
Apresentação
Melhorar a qualidade de
vida e a inclusão dos jovens com
deficiência visual de todas as regiões
brasileiras é nosso grande desafio
nesses primeiros anos do século XXI. As
crianças brasileiras têm direito à
educação e participação na sociedade,
não importa o lugar onde vivam.
Compartilhar experiências, aquisições
e conhecimentos com famílias,
professores e profissionais é importante
estratégia nessa luta. Dar oportunidade
para que a criança com deficiência
visual seja no futuro cidadão activo e
participante, tenha autonomia e
independência para se locomover,
realizar suas actividades cotidianas,
possa estudar, trabalhar, constituir
família e ser feliz é nossa meta. O
Prof. João Felippe e toda a equipe de
Orientação e Mobilidade de Laramara
mostram com este Manual seu engajamento
nessa luta para a qual convidamos todos
os profissionais da área de Orientação
e Mobilidade.
Mara O. de Campos
Siaulys Presidente da LARAMARA
Associação Brasileira de Assistência
ao Deficiente Visual
Aos pais
O objectivo deste manual é oferecer
informações simples e práticas que
poderão contribuir para o
desenvolvimento da Orientação e
Mobilidade do seu filho com deficiência
visual, cego ou com baixa visão.
Aos parentes e amigos
Este manual também poderá ajudá-los a
estabelecer um convívio mais cooperativo
com as pessoas deficientes visuais:
crianças, jovens, adultos ou idosos.
Às próprias pessoas
com deficiência visual
É desejo nosso que as informações que
possam obter, contribuam para a prática
real das habilidades da Orientação e
Mobilidade em busca da autonomia e
independência. Podem ser uma
necessidade; é um direito; é um
exercício de cidadania. As técnicas,
procedimentos e condutas, descritos e
indicados para o uso no cotidiano,
resultam dos trabalhos desenvolvidos por
muitos profissionais da área da
Orientação e Mobilidade ao longo dos
anos e, principalmente, dos próprios
ensinamentos que as pessoas com
deficiência visual nos passaram através
da sua experiência de vida.
A todos
A Orientação e a Mobilidade são
fundamentais para a interação do
indivíduo com o ambiente. Pode ser a
conquista da autonomia e um dos caminhos
para a independência. Quanto mais
pessoas conhecerem condutas e
procedimentos adequados em relação a
Orientação e Mobilidade, mais
naturalidade teremos no convívio com as
pessoas deficientes visuais. É desta
forma que compreendemos e contribuímos
para o processo de transformação e
inclusão social.
ALGUMAS
PERGUNTAS
1. O que é
orientação e mobilidade?
A orientação e a mobilidade estão
presentes na vida de todos nós. A
orientação é a capacidade de perceber
o ambiente, saber onde estamos. A
mobilidade é a capacidade de nos
movimentar. A visão, normalmente, é o
sentido que mais directamente colabora
para a nossa orientação e mobilidade.
2. O que é
Orientação e Mobilidade para a pessoa
com deficiência visual?
A Orientação para o deficiente visual
é o aprendizado no uso dos sentidos para
obter informações do ambiente . Saber
onde está, para onde quer ir e como
fazer para chegar ao lugar desejado. A
pessoa pode usar a audição, o tacto, a
cinestesia (percepção dos seus
movimentos), o olfacto e a visão
residual (quando tem baixa visão) para
se orientar. A Mobilidade é o
aprendizado para o controle dos
movimentos de forma organizada e eficaz.
A pessoa com deficiência visual pode se
movimentar:
3. Das
formas de Mobilidade, quais serão
apresentadas neste manual?
Estudaremos as três primeiras formas de
Mobilidade, ou seja, Guia Vidente,
Autoproteções e Bengala Longa. São as
mais simples e acessíveis a todas as
pessoas com deficiência visual. Devem
fazer parte de todo bom programa de
Orientação e Mobilidade e serão
básicas para um bom aproveitamento na
utilização do Cão-Guia e das Ajudas
Eletrônicas no futuro, quando for o
caso.
4. Quem deve ensinar a
Orientação e Mobilidade?
Os profissionais devidamente habilitados.
5. Onde encontrar esses
profissionais?
No final deste manual apresentamos uma
relação de centros que podem indicar
serviços com programas de Orientação e
Mobilidade no Brasil.
6. Por que um manual
dirigido a quem não é profissional?
Primeiro, porque muitas pessoas com
deficiência visual nos pedem este tipo
de material. Também pais, familiares e
outras pessoas que convivem com
deficientes visuais sempre nos pediram
maiores informações sobre a
Orientação e Mobilidade. Consideramos
uma solicitação justa. Segundo, o fato
de oferecermos um manual ilustrado, com
uma linguagem simplificada, torna
possível a um maior número de pessoas
adotar os procedimentos mais adequados,
contribuindo para a criação de hábitos
saudáveis. É a participação de todos
no processo de transformação. O uso do
manual por outras pessoas e mesmo pelo
indivíduo com deficiência visual não
elimina a necessidade de se participar de
um programa específico conduzido por um
profissional capacitado.
7. Quando daremos nosso
primeiro passo nessa caminhada juntos?
Agora.
PRIMEIRO PASSO
Utilização do Guia Vidente
O uso de uma outra
pessoa como guia é comum em diversas
situações no dia-a-dia do deficiente
visual. Apesar de ser uma forma
dependente de se locomover, deve
possibilitar o controle, a
interpretação e a efectiva
participação da pessoa cega ou com
baixa visão nas decisões do que ocorre
durante o seu deslocamento.
A.
Posição Básica
Objectivo
Proporcionar à pessoa com deficiência
visual a utilização segura, eficiente e
adequada de um vidente como guia,
estabelecendo uma base para o uso de
outros como guias no futuro.
Procedimentos
A pessoa com deficiência visual deve
segurar no braço do guia na altura do
cotovelo, no punho ou mesmo no ombro,
dependendo da diferença de estatura
entre ambos. Esta posição garantirá ao
deficiente visual interpretar as pistas
dadas pelos movimentos do corpo do guia,
ou seja, quando começa a caminhar,
quando pára, quando se vira para a
direita, para a esquerda, desvia de
obstáculos ou de pessoas, quando sobe ou
desce degraus.
B. Troca de
Lado
Objectivo
Permitir à pessoa com deficiência
visual mudar de lado por preferência
pessoal, razões sociais ou por conforto
e tranqüilidade, quando enfrentar
situações do meio ambiente.
Procedimento
O guia ou a pessoa com deficiência
visual fornece uma pista verbal para a
mudança de lado. Com a mão livre, a
pessoa segura o braço do guia,
posicionando-se a um passo atrás dele.
Soltando a primeira mão, ele rastreia as
costas do guia até encontrar o braço do
outro lado. Faz a troca de lado,
retomando a posição básica.
C. Passagens
Estreitas
Objectivo
Permitir a passagem, de forma cómoda,
quando não é possível manter a
posição básica, devido à falta de
espaço para o guia e o acompanhante se
posicionarem lado a lado (por exemplo,
por portas, corredores estreitos, fluxo
intenso de pessoas, entre mobílias e
objectos, etc.).

Procedimentos
O guia dá uma pista verbal ou
cinestésica da passagem estreita. A
pessoa com deficiência visual também
pode pressentir a necessidade de tomar a
posição de passagem estreita antes do
guia avisar. A pessoa estende o seu
braço e se posiciona atrás do guia,
formando coluna (em fila) com o mesmo. Ao
fim da passagem estreita, a pessoa
reassume a posição básica. Dependendo
da situação, a pessoa deve ficar ao
lado do guia, formando fileira, e andar
lateralmente.
D. Aceitando,
Recusando ou Adequando Ajuda
Objectivo
Permitir à pessoa com deficiência
visual aceitar ou recusar, com
eficiência e adequação, a ajuda de um
suposto guia, dependendo da sua
necessidade ou desejo.
Procedimentos
Ao sentir alguém segurar o seu braço
com a intenção de conduzi-la, a pessoa
com deficiência visual deve relaxar o
braço, levantando-o em direcção ao
ombro oposto e manter sua posição sem
andar. Com a mão livre, deve segurar o
punho do suposto guia enquanto verbaliza
as suas intenções. Faz o
desenvencilhamento. Se for necessitar de
ajuda, a pessoa segura o braço do guia
com a mão livre e assume a posição
básica para acompanhá-lo. Caso
contrário, deve dispensar a ajuda tão
logo se desvencilhe.
E. Subir e
Descer Escadas
Objectivo
Permitir à pessoa com deficiência
visual e ao guia subir e descer escadas
com segurança, eficiência e
adequação.
Procedimentos
A posição adoptada para subir e descer
escadas é a básica. Nessa condição, a
pessoa com deficiência visual sempre
estará um degrau atrás do guia. Isto
favorecerá a interpretação das pistas
cinestésicas quando sobe ou desce os
degraus. Ao iniciar a subida ou descida
de escadas, uma breve pausa do guia, em
frente ao primeiro degrau, será
suficiente para que a pessoa que o
acompanha faça o deslize do pé para
encontrar o degrau e se posicionar. Uma
breve pausa do guia também deve
funcionar como pista no final das subidas
e descidas (ao final das escadas e nos
patamares). Quando a escada tiver
corrimão, a pessoa com deficiência
visual deve ter preferência de
uso.
F. Passagem por
Portas
Objectivo
Permitir à pessoa com deficiência
visual passar por uma porta com
segurança e eficiência, mantendo uma
participação activa.
Procedimentos
Ao aproximar-se de uma porta, o guia dá
uma pista verbal ou cinestésica e a
pessoa assume a posição de passagem
estreita. |
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O guia puxa ou empurra a porta
e o acompanhante eleva o braço livre com
a palma da mão para frente.
A pessoa com
deficiência visual toca a porta e
localiza o trinco. |
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Guia e acompanhante
passam pela porta em posição de
passagem estreita. O guia faz uma breve
pausa e o acompanhante fecha a porta.
Após a passagem, ambos retomam a
posição básica. |
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G. Sentando-se
Objectivo
Permitir à pessoa com deficiência
visual localizar e examinar um assento,
sentando-se com independência e
naturalidade.
Procedimentos
O guia conduz o seu acompanhante até a proximidade de um
assento, relatando verbalmente a posição e características do mesmo.
A pessoa com deficiência visual solta o braço do guia tão logo faça
o contacto com o assento. Este contacto pode ser feito com a perna
ou com o guia conduzindo a mão do acompanhante até o espaldar ou
braço do assento.
Estabelecido o contacto, a pessoa faz com as mãos
uma pesquisa breve do assento, certificando-se da posição, das
características e das condições de uso e senta-se.
No momento de se
levantar, o guia estabelece o contacto ou a pessoa solicita uma
pista verbal.
H. Sentar-se em
Auditório ou Assentos Perfilados
Objectivo
Permitir o acesso de maneira adequada
quando se utiliza do guia vidente em
auditórios ou assentos perfilados.
Procedimentos
O guia pára na fileira e dá uma pista
verbal para o acompanhante.
A pessoa se
alinha (em fileira) ao lado do guia e
iniciam a entrada andando de lado. O guia
deve entrar na frente.
A pessoa com deficiência visual deve
usar a mão livre para rastrear a parte
de trás dos espaldares (encostos) das
cadeiras a sua frente.
Ao chegar aos assentos desejados, o guia
dá uma pista verbal. O acompanhante usa
a parte de trás de suas pernas para
fazer o contacto com o assento. Faz uma
breve pesquisa com as mãos e se senta.
Ao saírem, usam-se os mesmos
procedimentos da entrada, com o guia
andando na frente.
SEGUNDO
PASSO
Autoprotecções
O uso dos
segmentos corporais (cabeça, tronco,
membros superiores e inferiores) como uma
forma de se proteger, estabelecer
relações posicionais e direccionais,
fazer contacto com objectos e pessoas
deve traduzir um completo controle da
pessoa cega ou com baixa visão sobre o
seu próprio corpo e seus movimentos. As
autoprotecções podem ser utilizadas em
conjunto com outras habilidades e
sistemas da Orientação e Mobilidade
como o guia vidente, a bengala longa, o
cão-guia e as ajudas electrónicas.
A.
Protecção Inferior
Objectivo
Permitir que a pessoa com
deficiência visual proteja a
parte frontal e inferior do
tronco, detectando objectos ao
nível dos órgãos genitais e da
cintura.
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Procedimentos
A pessoa coloca o braço à
frente do corpo com a mão na
linha média (meio do corpo).
O
dorso da mão fica voltado para
frente. A mão deve ficar
distante do corpo o suficiente
para se antecipar as pontas dos
pés durante a marcha. |
B.
Proteção Superior
Objectivo
Permitir que a pessoa com
deficiência visual proteja a
parte superior do seu corpo,
detectando objectos posicionados
ao nível do tórax e do rosto.
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Procedimentos
A pessoa flexiona o braço ao
nível do ombro, mantendo-o
paralelo ao chão. Flexiona o
cotovelo mantendo o dorso da mão
voltada para frente. As pontas
dos dedos e a mão dão
protecção ao ombro oposto. O
antebraço dá proteção ao
rosto e tórax. À semelhança da protecção
inferior, a mão deve estar
distante do corpo o suficiente
para se antecipar as pontas dos
pés durante a marcha. |
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C. Rastreamento com a
mão
Objectivo
Permitir que a pessoa mantenha sua
orientação de forma segura, através de
um contacto constante com elementos do
meio; facilitar a manutenção da marcha
na direção desejada; localizar um
objecto específico e determinado.
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Procedimentos
A pessoa posiciona-se
paralelamente e próxima ao
objecto a ser rastreado
(linha-guia - superfície que
indica uma direção a seguir:
parede, corrimão, balcão,
móveis, etc.).
Rastreia com o dorso da mão (de
preferência apenas com o dedo
mínimo e anular) a linha-guia.
Os dedos devem estar
semi-flectidos e relaxados.
Novamente, a mão deve estar
distanciada de forma a se
antecipar a ponta dos pés
durante a marcha.
O rastreamento pode ser usado em
conjunto com a protecção
inferior e superior, dependendo
da situação e do ambiente.
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D.
Enquadramento e Tomada de Direção
Objectivo
Permitir que a pessoa com deficiência
visual possa estabelecer uma linha de
marcha recta ou orientada.
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Procedimentos
A pessoa encosta a parte de trás do seu corpo num objecto significativo no
ambiente (enquadramento).
Dessa posição, a pessoa projecta uma
linha recta de caminhada estabelecida a
partir da linha média do seu corpo e
perpendicular ao objecto usado para o
enquadramento (tomada de direcção).
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O enquadramento ainda pode ser feito com
a ponta dos pés ou calcanhares e um
degrau, ou com os ombros, quadril ou a
lateral das pernas em um objecto
(alinhamento paralelo).
E.
Localização de objectos
Objectivo
Permitir uma busca sistemática de
objectos, com segurança, eficiência e
adequação.
Objectos
Caídos
Procedimentos:
A pessoa pára logo que o objecto
cai, procurando ouvir onde caiu.
Pela localização do som, a
pessoa volta-se de frente para
essa direcção. Caminha para o
ponto onde julga encontrar o
objecto.
Agacha-se enquanto assume a
posição de protecção superior.
Inicia o processo de busca
sistemática empregando
movimentos circulares (leque),
verticais e horizontais (grade) a
partir do meio do corpo,
rastreando a área com o dorso
dos dedos.
Objectos sobre móveis (mesas, balcões,
prateleiras, etc.):
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Procedimentos Estando a pessoa de frente para o
móvel, em pé ou sentada,
movimenta as duas mãos com o
dorso voltado para frente, até
contactar a borda do móvel.
A partir do ponto contactado e
usando a linha média como
referência, a pessoa passa a
aplicar um modelo de busca (leque
ou grade).
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Trincos, maçanetas e puxadores (de
portas, janelas, etc.):
 |
Procedimentos A pessoa se posiciona de frente
com a porta, janela ou portão e
movimenta ambas as mãos com o
dorso voltado para frente, até
tocar no objecto a ser
pesquisado. Deve ser usada a
linha média como referência.
Uma vez contactado o objecto, a
pessoa faz o deslize das mãos
horizontalmente à direita e à
esquerda até encontrar os
batentes.
Caso a pessoa não tenha
localizado o trinco, maçaneta ou
puxador com o procedimento
anterior, basta acompanhar os
batentes ou molduras em
movimentos de deslize vertical
das mãos.
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F. Técnica para o
Cumprimento
Objectivo
Proporcionar à pessoa com deficiência
visual uma forma eficiente e socialmente
adequada para cumprimentar outras
pessoas.
Cumprimentar pessoas videntes -
Procedimentos
A pessoa com deficiência visual,
ao chamar ou ser chamada por
outra pessoa a quem deseja
cumprimentar, posiciona-se de
frente para ela.
Estende a mão no gesto usual de
cumprimento e aguarda a
iniciativa por parte da pessoa
vidente em segurar a sua mão.
Cumprimentar
pessoas com deficiência visual -
Procedimentos
A
pessoa com deficiência visual ao chamar
ou ser chamada por outra pessoa com
deficiência visual a quem deseja
cumprimentar, posiciona-se de frente para
ela.
A primeira deve cruzar o braço
direito em diagonal à frente do seu
corpo. A partir dessa posição, ela vai
deslocando o braço com o dorso da mão
voltado para frente até tocar a outra
pessoa, procedendo ao cumprimento.
G.
Familiarização
Objectivos
Permitir à pessoa com deficiência
visual se familiarizar sistematicamente,
de forma segura e eficiente, com
ambientes diversos.
Método do
Perímetro - Procedimentos
A pessoa estabelece um ponto de
partida (preferencialmente a
porta principal de acesso ao
ambiente).
A pessoa faz o enquadramento
paralelo à linha da parede ou
objecto (linha-guia), escolhendo
arbitrariamente o lado.
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Inicia o rastreamento da
linha-guia circundando todo o
ambiente no seu perímetro até
retornar ao ponto de partida. Em conjunto com o rastreamento,
deve ser usada a proteção
superior.
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Completando o primeiro contorno,
a pessoa pode fazer o
rastreamento em sentido
contrário. O número de repetições para o
contorno dependerá do ambiente,
da situação e das necessidades
individuais.
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Método
dos Cruzamentos - Procedimentos
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Após o
método do perímetro, a pessoa utiliza o
mesmo ponto de partida já estabelecido,
faz o enquadramento com as costas e cruza
para o lado oposto.
Durante este
cruzamento em linha reta, a pessoa deve
usar as proteções inferior e superior.
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Atingindo o lado oposto, a pessoa
faz uma pequena exploração do local.
Faz novo enquadramento de costas e procede ao
cruzamento de retorno ao ponto de partida.
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Diversos cruzamentos devem ser
feitos usando os elementos presentes no
ambiente (outras portas, janelas,
móveis, etc.).
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Variações
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Os métodos de familiarização podem ser
aplicados com acompanhamento de um guia
vidente, que confirmará as
informações.
A familiarização também
pode, e em muitas situações deve, ser
feita com a utilização da bengala
longa, o que garantirá maior proteção
para a pessoa. |
Observação
É importante dar oportunidade de muitas
vivências utilizando os princípios da
familiarização. É o momento de ter
contacto directo com grande variedade de
objectos, elementos e ambientes. O
momento também é riquíssimo para
conhecer de forma prática situações
apenas verbalizadas. Bem trabalhada, a
familiarização ajuda a desenvolver as
condições intelectuais, motoras,
sociais e emocionais, levando a pessoa
com deficiência visual a buscar uma
atitude positiva voltada para a
independência.
TERCEIRO
PASSO - Bengala Longa
À
semelhança das autoprotecções, o uso da
bengala longa também é um sistema da
Orientação e Mobilidade no qual a
pessoa com deficiência visual depende
apenas de si mesma para se deslocar pelo
ambiente. A bengala longa é um simples
bastão que, mesmo com todo o avanço
tecnológico, ainda se traduz como o mais
eficiente instrumento para dar
independência à mobilidade de pessoas
cegas ou com baixa visão. A bengala
funciona como uma extensão
táctil-cinestésica para transmitir à
pessoa uma riqueza de informações tal e
qual ela teria se caminhasse passando a
mão no solo. É possível desenvolver a
percepção para detectar desníveis,
buracos e outros obstáculos ao nível do
chão. A bengala também será um
anteparo eficiente para possíveis
choques contra objectos e pessoas que se
encontrem na linha de caminhada da pessoa
com deficiência visual. A bengala longa
pode ser usada em conjunto com outras
formas de mobilidade, ou seja, com o guia
vidente, com as autoprotecções, com o
cão-guia e com as ajudas electrónicas.
HABILIDADES
COM A BENGALA LONGA
Finalidade
Habilitar a pessoa com deficiência
visual para locomover-se com segurança,
eficiência e independência, tanto em
ambientes familiares como desconhecidos,
utilizando-se da bengala longa.
A.
Vivência Pré-Bengala
Objectivo
Proporcionar à pessoa com deficiência
visual diversas experiências
preliminares que facilitarão a efetiva e
eficiente manipulação da bengala longa,
bem como a compreensão de seu uso.
Actividades
Propostas
No caso de crianças, podemos oferecer
uma grande variedade de vivências,
usando brinquedos de empurrar à frente
do corpo, tais como carrinhos de boneca,
minicarrinhos de supermercados, bastão
com patinho, bastão com rodinha,
carrinho com guidom e hastes para
empurrar, banquinhos e cadeirinhas,
raquetão feito de bambolê, espada
retrátil de plástico, bengalinhas de
plástico com buzina na ponta, etc.
Quanto ao jovem e adulto, vivências de
locomoção usando carrinhos de feira, de
supermercados, de bebé, deslocamentos
empurrando uma cadeira ou carrinho de
chá, o uso de utensílios domésticos
como vassoura e rodo, etc.
Considerações
e observações gerais
O uso desses brinquedos, equipamentos e
utensílios ajudará na organização e
atitude postural, usando a linha média
do corpo como referência.
O equilíbrio e a marcha serão
beneficiados em decorrência do apoio e
da presença de um anteparo à frente do
corpo, oferecendo segurança e aumentando
a confiança para os deslocamentos.
A presença do objecto à frente do corpo
preparará a pessoa para o aumento do
espaço ocupado pelo seu corpo junto
com a bengala. Isto favorecerá a
aquisição e manutenção das relações
posicionais, quando estiver usando a
bengala no futuro.
Haverá o estímulo à consciência e
percepção táctil-cinestésica, ao
reconhecimento do que se toca através do
objecto, à audição através dos sons
produzidos pelo objecto no piso e no
tocar em outros elementos presentes no
ambiente.
A coordenação motora será trabalhada
de forma dinâmica por meio dos
movimentos locomotores, não-locomotores
e manipulativos.
B.
Conhecimento e Manipulação da
Bengala
Objectivo
Permitir que a pessoa com deficiência
visual conheça detalhadamente a bengala
longa, suas partes, os vários modelos,
bem como a manipule com os vários tipos
de preensão, explorando todas as
possibilidades de movimentação.
Procedimentos
A pessoa deve ter oportunidade para
explorar diversos tipos e modelos de
bengala (inteiriça, dobrável,
telescópicas; de alumínio, de
fibra-de-vidro; com cabos de borracha, de
plástico, de madeira; com ponteira de
borracha, de plástico, de nylon, com
rolamento; bengalas de fabricação
nacional e importadas). A pessoa deve ser
estimulada e orientada a usar todas as
formas possíveis para segurar e
manipular a bengala.
C. Colocações da
Bengala Longa
Objectivo
Permitir que a pessoa com deficiência
visual coloque a bengala em posições de
fácil acesso e manejo, não interferindo
com outras pessoas e com o ambiente de
forma inadequada.
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Procedimentos
Em ambientes conhecidos, a pessoa deve
escolher um canto junto às paredes ou
móveis para encostar a bengala em
posição diagonal. Se a bengala tiver
elástico no cabo ou o mesmo for
recurvado, pode-se pendurar a bengala em
cabides ou suportes apropriados, se
presentes no ambiente.
Quando a pessoa
estiver em pé, a bengala pode ser
colocada verticalmente na linha média do
corpo.
Se a pessoa estiver sentada, a
bengala pode ser colocada entre as
pernas, em diagonal e recostada em um dos
ombros.
Caso a pessoa vá demorar mais
tempo ou queira ficar com as mãos
livres, pode colocar a bengala apoiada no
chão, sob o assento, em posição
paralela ou transversal aos seus
pés.
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D.
Andando com um Guia
Objectivo
Permitir que uma pessoa com deficiência
visual utilize a bengala mesmo
acompanhada por um guia, sem interferir
na movimentação, garantindo maior
protecção e captação de informações
durante os deslocamentos.
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Procedimentos
A pessoa e o guia assumem a posição
básica de guia vidente.
A pessoa
posiciona a bengala em diagonal à frente
do corpo.
Nas passagens por portas, nas
trocas de lado e nas escadas, a pessoa
deve aprender a segurar a bengala
juntamente com o braço do guia e usar
dos mesmos procedimentos já descritos
para essas situações.
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E.
Varredura
Objectivo
Proporcionar à pessoa com deficiência
visual uma exploração imediata e
completa do solo na área próxima ao seu
corpo.
Procedimentos
Determinada a direcção a seguir, a
pessoa posiciona a bengala na linha
média do seu corpo, na vertical, com a
ponteira próxima às pontas dos seus
pés. A pessoa desliza a bengala à sua
frente numa linha recta. A bengala é
recuada ao ponto de partida, descrevendo
semicírculos concêntricos, procedendo
à varredura.
F.
Técnica Diagonal
Objectivo
Proporcionar à pessoa com deficiência
visual caminhar com independência em
ambientes internos e familiares, com
algum grau de protecção.
Procedimentos
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A bengala é segura na junção entre o
cabo e o corpo. O dorso da mão fica
voltado para cima. O polegar fica apoiado
no corpo da bengala e dirigido para a
ponteira.
O braço deve estar flectido à
frente do corpo. Mantém-se o cotovelo e
o pulso estendidos no prolongamento do
braço.
A bengala é colocada em diagonal
na frente do corpo e oblíqua em
relação ao piso. Com essa posição a
extremidade do cabo ultrapassa a linha do
ombro no lado que segura a bengala; a
extremidade da ponteira deve
ultrapassar a linha do ombro oposto.
Dependendo do tipo de piso e de ambiente,
pode-se apoiar a ponteira no chão e
conduzir a bengala em deslize, ou
mantê-la suspensa (não mais do que
três centímetros) e tocar a ponteira no
chão a cada três ou quatro passos.
|
G.
Rastreamento com a Técnica Diagonal
Objetivos
Permitir que a pessoa com deficiência
visual mantenha sua orientação, por
meio de um contacto constante da bengala
com elementos do ambiente. Facilitar para
que a pessoa mantenha sua marcha na linha
de direcção desejada. Permitir que a
pessoa localize um objecto específico e
determinado com a bengala.
Procedimentos
A pessoa se posiciona de frente para a
linha de direcção desejada,
paralelamente e perto do objecto a ser
rastreado, segurando a bengala na mão oposta ao objecto.
Com a bengala na
técnica diagonal a pessoa pode:
a)
deixar a ponteira tocar levemente o
objecto;
b) tocar levemente o ponto de
convergência do objecto com o solo (por
exemplo, o rodapé).
H.
Detecção e Exploração de
objectos
Objectivo
Permitir que a pessoa com deficiência
visual obtenha informações seguras
sobre objectos encontrados durante sua
caminhada, favorecendo a sua segurança e
orientação.
Procedimentos
Ao tocar o objecto, a pessoa coloca a
bengala na posição vertical contra o
objecto contactado. Mantendo a bengala na
vertical, a pessoa desliza a mão livre
através do corpo da bengala até tocar
no objecto. A pessoa prossegue na
exploração do objecto, usando as
técnicas apropriadas de busca (grade ou
leque).
I.
Portas
Objectivo
Permitir à pessoa com deficiência
visual passar por portas de forma
independente e segura usando a bengala.
Procedimentos
Ao detectar uma porta, a pessoa deve
manter o contacto e colocar a bengala na
vertical.
A bengala deve ser movimentada
lateralmente para a direita e esquerda
até tocar nos batentes e/ou no trinco.
A
pessoa desliza a mão livre pela bengala
até encontrar o trinco. Abre a porta e
procede à passagem, adotando a técnica
diagonal com a outra mão.
Após a
passagem, a pessoa solta ou fecha a porta
manualmente e emprega a técnica de
bengala mais apropriada.
J.
Subir Escadas
Objectivo
Permitir que a pessoa com
deficiência visual suba escadas
utilizando a bengala com segurança,
eficiência e independência.
Procedimentos
A pessoa localiza a escada apoiando a
ponteira no primeiro degrau. A partir
daí, faz o conhecimento inicial da
escada usando a varredura (altura,
largura, regularidade dos degraus, etc.).
Inicia a subida sempre mantendo a bengala
um ou dois degraus à sua frente.
A
pessoa deve escolher a forma como segurar
a bengala e o posicionamento da mesma a
fim de garantir protecção e eficiência
(em diagonal, na vertical).
Atingindo o
final da escada, a pessoa deve proceder
à varredura e adoptar a técnica mais
apropriada para dar continuidade à
caminhada.
K.
Descer Escadas
Objectivo
Permitir que a pessoa com deficiência
visual desça escadas utilizando a
bengala de forma segura, eficiente e
independente.
Procedimentos
A pessoa localiza a escada, detectando o
primeiro degrau. Da mesma forma que na
subida, faz o conhecimento das
características da escada usando a
bengala em varredura.
Inicia a descida adoptando a bengala na posição diagonal.
Dependendo da sua confiança e das
características da escada, a pessoa
poderá ser mais ou menos detalhista na
exploração de cada degrau e na forma
como fará a descida (varredura a cada
degrau, ponteira em deslize ou suspensa,
pés alternados em cada degrau, etc.).
Atingindo o final da escada, a pessoa
deve proceder à varredura e adotar a
técnica mais apropriada para dar
continuidade à caminhada.
L.
Técnica de Toque
Objectivo
Permitir que a pessoa com deficiência
visual detecte diferenças de níveis e
objectos que se encontrem no plano do
solo à linha da cintura, em ambientes
internos e externos, familiares ou
desconhecidos.
Procedimentos
A pessoa segura a bengala pelo cabo de
maneira que se forme um anel entre o dedo
polegar e o dedo médio.
O dedo
indicador, em extensão, fica apoiado na
parte lateral e inferior do cabo.
A
pessoa deve considerar a bengala como um
prolongamento do seu dedo indicador.
A
mão fica centrada com a linha média do
corpo e afastado do mesmo, num ponto em
que a combinação membro superior -
bengala forme uma linha recta.
O dorso da
mão fica voltado para fora. |
 |
A
movimentação da bengala é determinada
pela acção do punho.
Utilizando os
movimentos do punho, a bengala é
desloca-da para um ponto de con-tacto com o
solo a três cen-tímetros, aproximadamente, além de cada ombro.
A
ponteira da bengala des-creverá um arco
à frente, de modo que o ponto médio
desse arco será coincidente com a linha
média do corpo da pessoa.
No deslocar a
bengala de um lado para o outro, a
ponteira deve ficar rente ao solo (no
máximo, três centímetros de
elevação).
A pessoa ao caminhar deve
deslocar a bengala sempre para o lado
oposto do pé em movimento.
Deve ser estabelecido um ritmo sincronizado entre
o toque da ponteira e o apoio do
calcanhar no lado oposto.
|
 |
M.
Técnica de Deslize
Objectivo
Permitir que a pessoa com deficiência
visual explore detalhadamente o solo na
sua frente, detectando com mais precisão
diferenças de níveis e texturas do
chão, objectos e áreas com muitas
variações perpendiculares à sua linha
de caminhada, em ambientes internos e
externos, familiares ou desconhecidos.
 |
Procedimentos
A forma de segurar a bengala e o
posicionamento em relação ao corpo são
os mesmos anteriormente descritos na
técnica de toque.
A pessoa, utilizando
similarmente os procedimentos da técnica
de toque, mantém a ponteira da bengala
em contacto permanente com o solo,
deslizando-a para ambos os lados, efectuando o arco de protecção em
constante varredura.
|
N.
Rastreamento com a Técnica de Toque ou
Deslize
Objectivos
-
Permitir à pessoa com deficiência
visual localizar um objecto específico e
determinado com a bengala.
-
Facilitar para que a pessoa mantenha sua
marcha na linha de direcção desejada.
-
Manter contacto com o ambiente,
favorecendo a orientação.
Procedimentos
A pessoa se posiciona de frente para a
linha de direcção desejada,
paralelamente e perto do objecto a ser
rastreado. A bengala é mantida na
posição correcta da técnica de toque.
Caminhando com mais cautela, a pessoa
modifica a técnica de toque básica,
alternando o contacto com o chão e o
objecto que está sendo rastreado. Deve
manter o deslocamento da bengala sempre
para o lado oposto ao pé em movimento. O
mesmo procedimento pode ser usado com a
técnica de deslize.
O.
Adaptação da Técnica de Deslize com as ponteiras roller (rolamento)
Objectivo
Permitir que a pessoa com deficiência
visual explore detalhadamente o solo na
sua frente, detectando com muito mais
precisão diferenças de níveis e
texturas do chão, objectos e áreas com
muitas variações perpendiculares à sua
linha de caminhada, em ambientes internos
e externos, familiares ou desconhecidos.
O uso da ponteira com rolamento impede que a bengala se enrosque nas
emendas, reentrâncias, pequenos buracos
e falhas da calçada, interferindo no
desenvolvimento da marcha.
Procedimentos
A forma de segurar a bengala e o
posicionamento em relação ao corpo são
os mesmos anteriormente descritos na
técnica de toque. A pessoa, utilizando
similarmente os procedimentos da técnica
de toque, mantém a ponteira da bengala
em contacto permanente com o solo,
rolando-a para ambos os lados, efectuando
o arco de protecção em constante
varredura.
MAIS
ALGUMAS PERGUNTAS
1. Em
que idade as crianças com deficiência
visual devem começar a trabalhar a
Orientação e Mobilidade?
Lembramos
que os conceitos da Orientação e
Mobilidade estão presentes na vida de
todos, a todo momento. Portanto,
consideramos que a Orientação e a
Mobilidade iniciam-se no colo da mãe, no
berço, ou seja, o mais cedo possível,
tão logo se identifique a deficiência
visual. Algumas das condutas e
procedimentos já devem estar presentes
nos programas de intervenção precoce.
Nos programas de educação especial
somam-se novas técnicas e, naturalmente,
procedimentos mais sofisticados vão
sendo incorporados à medida que a
criança se desenvolve.
2. Qual
a idade ideal para a introdução da
bengala na vida da criança?
É uma
pergunta difícil de responder. Vamos
lembrar uma velha e boa frase: cada caso
é um caso. Cada criança tem os seus
interesses, suas necessidades, seu ritmo
e sua história. Devemos respeitá-la. A
sugestão é a mesma da resposta
anterior. Quanto mais cedo melhor. As
vivências pré-bengala devem ser
trabalhadas tão logo a criança adquira
marcha independente sem apoio. A partir
do momento que ela consegue segurar e
manter a bengala à frente do corpo,
introduzem-se manipulações semelhantes
as técnicas diagonal, varredura e
deslize.
3. E se a criança não quiser usar a
bengala? Se ela tiver preconceito contra
a bengala?
Uma vez avaliada e
confirmada a necessidade do uso da
bengala para a segurança da criança,
deve-se trabalhar para que ela compreenda
e se consciencialize da importância dessa
utilização. Quanto ao preconceito, ele
não nasce espontaneamente com a
criança. Deve-se trabalhar o meio em que
ela vive, mas respeitar o momento e as
decisões familiares.
4. Pessoas
com visão reduzida devem usar a bengala?
Depende. Novamente lembramos o respeito
à individualidade. Após uma avaliação
bastante criteriosa, definiremos junto
com a pessoa e com a família a
necessidade ou não do uso da bengala.
Geralmente são observadas as condições
do uso da visão para perceber o
tipo de calçada, o uso do campo visual para
evitar esbarrar em objectos e pessoas,
a locomoção nas variações de
luminosidade, as condições de
segurança na travessia de ruas e no uso
dos transportes colectivos.
5. Como
calcular o comprimento da bengala para
cada pessoa?
O comprimento da bengala
depende de alguns factores como a estatura
da pessoa, tipo físico, largura dos
passos, segurança e tempo de reacção
ao tocar em obstáculos. Inicialmente,
usa-se a medida tomada com a pessoa em
pé, numa linha vertical do solo até a
extremidade inferior do osso esterno
(boca-do-estômago).
6. Como
estimular a pessoa com deficiência
visual a utilizar todos os seus sentidos
de uma forma integrada, colaborando com a
sua Orientação e Mobilidade?
Não
é difícil, mas requer muito treino e
prática. Pode ser conseguido por meio de
jogos e actividades recreativas o que
torna o aprendizado muito mais
prazeiroso.
7. Como
estimular a pessoa a fazer uso da visão
residual para sua Orientação e
Mobilidade?
Devemos iniciar em
ambientes internos onde podemos controlar
melhor os estímulos. O ponto de partida
é a observação do seu próprio corpo e
dos seus movimentos (observação directa
e através de espelhos). Depois, observar
as outras pessoas e seus movimentos. A
seguir, a pessoa com baixa visão deve
ser orientada para aprender a:
- localizar
aberturas através de fontes de
luz e sombra;
- seguir
em direcção a uma fonte de luz
ou acompanhá-la;
- localizar
trincos de portas, puxadores de
janelas, etc.;
- localizar
portas abertas e fechadas;
- discriminar
entre o escuro e claro em
ambientes diversos;
- localizar
móveis e pesquisá-los
visualmente;
- localizar
objectos sobre os móveis;
- localizar
objectos no chão;
- entrar
e sair de diversos tipos de
ambientes, com variação de
iluminação e de pisos;
- utilizar
linhas guias visualmente
(contrastes no rodapé, meio-fio,
paredes, etc.);
- identificar
e utilizar as pistas e pontos de
referência visuais nos
ambientes.
Os
ambientes externos são riquíssimos em
estímulos naturais para o treino do
uso da visão residual. Devemos facilitar
para que a pessoa aprenda de forma
prática:
8. Como
estimular a pessoa a fazer uso da
audição para sua Orientação e
Mobilidade?
A pessoa com
deficiência visual deve aprender a:
-
orientar-se em casa pelos sons comuns;
-
identificar diversos sons em variados
ambientes;
-
posicionar-se em relação a uma fonte
sonora específica (de frente, de costas,
com o lado direito/esquerdo);
-
caminhar (de diversas formas) de
encontro a uma fonte sonora;
-
caminhar paralelo a fonte sonora;
-
identificar pessoas pelas vozes;
-
caminhar por corredores que apresentam
ocasionalmente aberturas;
-
escutar paredes, aberturas, portas,
janelas, esquinas, estabelecimentos
comerciais, etc.;
-
usar de jogos de imitação,
adivinhações, dramatizações;
-
usar discos, fitas cassetes e CDs com
reprodução de variados sons.
9. Como
estimular a pessoa a utilizar o sentido
tátil-cinestésico para sua Orientação
e Mobilidade?
Uma grande
variedade de exercícios, jogos e
vivências podem ser realizados pela
pessoa com deficiência visual para o
aprimoramento do tacto e da cinestesia:
-
formar a Arca do Tesouro ou Caixa de Surpresa
(caixa
com uma grande variedade de objectos para
serem manipulados, com variedades de
cores, texturas, peso, tamanho, forma,
temperatura, consistência);
-
construir e manusear mapas táteis,
maquetes, modelos esquematizados,
miniaturas, etc.;
-
manusear animais empalhados;
-
explorar cartazes e cartões contendo
figuras com formas e contornos variados;
-
manipular tecidos, papéis, papelão,
lixas, etc. com variados tipos de
textura;
-
manipular barbantes, cadarços,
linhas, cordinhas, cordas, elásticos e realizar exercícios de nós, laçadas,
etc.;
-
manusear roupas identificando o lado
direito e o avesso, etiquetas, partes de
uma peça de roupa; modelar com massa
(caseira, comercial), argila, barro,
etc.;
-
jogos diversos: de montar, encaixar,
seriar, comparar, etc. Uso de figuras
geométricas bidimensionais,
tridimensionais, pesos diferentes,
bolinhas, palitos, feijões, pedrinhas,
conchas, etc.
-
caminhar de diversas formas estando
calçado, de meias, descalço, nos mais
variados tipos de piso (calçamento,
asfalto, terra, areia, grama, mato,
barro, pedriscos, pedregulhos, madeira,
folhas secas e úmidas, etc.). Caminhar
acompanhando linhas-guias
tátil-cinestésicas no piso; caminhar em
pisos inclinados, caminhar descrevendo
figuras geométricas, voltar ao ponto de
partida, etc.;
-
explorar situações em que sejam
solicitadas as percepções térmicas, a
identificação de fontes de calor, frio,
brisa, vento;
-
usar jogos que exigem a percepção tátil-cinestésica: adivinhação de
objectos levemente tocados, pesca na
areia (e, se possível, em situação
real), jogos de bola explorando a
coordenação motora;
-
brincar em caixa de areia, play-ground, parques, hortas, etc.;
-
andar de bicicleta, patins, patinete,
carrinho de pedal, triciclo, skate,
carrinho de rolemã, perna-de-pau,
tamancão-coletivo, pedalinho, barco a
remo, andar a cavalo, etc.;
-
explorar todas as possibilidades de
movimentos básicos: rastejar,
engatinhar, escorregar, andar, correr,
pular, saltar, rolar, trepar, puxar,
empurrar, balançar, agachar-se,
esticar-se, curvar-se, contorcer-se,
fazer preensões);
-
participar de actividades físicas, esportivas e recreativas.
10. Como
estimular a pessoa com deficiência
visual a utilizar o olfacto na
Orientação e Mobilidade?
O
sentido do olfacto deve ser desenvolvido,
podendo auxiliar na Orientação e
Mobilidade da pessoa com deficiência
visual. A identificação,
discriminação, interpretação e
localização de odores podem fornecer
pistas no meio ambiente, facilitando a
localização de estabelecimentos
comerciais, e alertar para situações de
risco (cheiro de gás, gasolina, fumaça,
queimado), etc. O treinamento do olfacto
pode ser feito por meio de exercícios
com uma Caixa de Aromas (caixa com
vários frascos contendo diversas
essências aromáticas) e com o máximo
de aproveitamento dos cheiros
identificáveis nos ambientes (os odores
em casa, na escola, no trabalho, na feira
livre, supermercados, jardins, etc.). É
preciso controlar o excesso de estímulos
e o tempo de acomodação para não
saturar a percepção olfativa das
pessoas.
Importante
Os procedimentos apresentados devem
ser considerados como modelos que
proporcionam o máximo de proteção à
pessoa com deficiência visual, se
seguidos corretamente na situação e
ambiente apropriados. Às vezes, são
necessárias modificações visando
atender às necessidades individuais.
Vale ressaltar que todas essas vivências
devem ter significado real para a pessoa.
Não devem ser executadas apenas de forma
repetitiva ou reprodutiva, mas com uma
perspectiva de construção e
transformação.
Estamos
encerrando essa nossa primeira caminhada
juntos. Desejo que ela tenha sido
satisfatória como tem sido boa parte das
caminhadas que faço todos os dias com as
crianças, os jovens e os adultos com
deficiência visual. Também é meu
desejo que muitas outras caminhadas
satisfatórias possam ser realizadas por
você que tem a deficiência visual, ou
por você que convive com alguém que
tenha a deficiência visual. Às vezes
são caminhadas longas e difíceis, mas a
maioria delas possíveis de serem
realizadas.
Até
os próximos passos,
João Álvaro de Moraes Felippe
LARAMARA -
Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente
Visual
ã
Publicado por
MJA
[15Mar07]
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